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Projeto promove encontro de lideranças Guarani

Data:

Cliente:
IECAM

Créditos:
João Mattos

Projeto promove encontro de lideranças Guarani

Em cinco anos de atividades, foram reconvertidos e recuperados mais de 30 hectares de áreas degradadas em dez aldeias do RS.

“Para nós, precisamos ter plantio, lavouro (sic), crianças e velhos em nossas aldeias para viver bem. Não nos adianta só o campo, temos que ter as frutíferas e a raiz para plantar”. A afirmação é do cacique Cirilo, da Teko’a Anhetenguá (Aldeia da Verdade), durante o encontro de Caciques Guarani, promovido pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM) nos dias 13 e 14 de abril na Lomba do Pinheiro. O debate, alusivo ao Dia do Índio, contou com a participação de diversos órgãos ligados à temática.

As lideranças manifestaram o contentamento do povo indígena com o incentivo proporcionado pelo projeto “Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani” na recuperação de áreas através do plantio de mudas de espécies nativas, garantindo a produção do artesanato, instrumentos musicais e ritualísticos, na saúde e na alimentação.

“É muito gratificante para nós do IECAM termos uma avaliação tão positiva dos caciques, lideranças e monitores indígenas, principalmente no que se refere às áreas recuperadas, ao crescimento das roças para a segurança alimentar e às atividades de viveirismo e educação ambiental. Estas ações são de fundamental importância. Garantir as sementes, as mudas, as ramas, representa garantir o alimento às famílias Guarani”, avaliou Denise Wolf, coordenadora do Projeto.

Saúde, educação, moradia, maior representatividade no Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI) foram alguns dos temas abordados. Além dos caciques e da equipe multidisciplinar do IECAM, também participaram dos debates, diversos órgãos públicos ligados à causa indígena.

“A presença desses agentes é muito significativa, pois trabalharão não apenas na formulação, mas também na execução de políticas públicas que possibilitem uma melhor qualidade de vida aos indígenas”, comentou a presidente do IECAM.

Órgãos públicos: Secretaria da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), CEPI, Fundação Nacional do Índio (Funai), Prefeitura Municipal de Porto Alegre, através da Secretaria de Direitos Humanos (UPIDE) e Emater de Porto Alegre.

Grafismo na aldeia

Também para marcar as homenagens pelo Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, foi realizada uma oficina de serigrafia com jovens e crianças Guarani, na Escola da Teko’a Anhetenguá. A atividade foi ministrada pelo artista visual urbano Xadalu, que tem um trabalho artístico totalmente ligado à cultura indígena. Ele é o criador do adesivo do simpático indiozinho, que circula pelas ruas de Porto Alegre e diversas cidades europeias.

Na ação, Xadalu levou a figura do indiozinho e elementos relacionados ao cotidiano Guarani em telas de serigrafia, onde crianças e jovens, em uma construção conjunta, contribuíram com imagens, desenhos e grafismos para a impressão em camisetas, que, posteriormente, serão comercializadas, revertendo o valor para a Aldeia.

Manejo Sustentável

Em cinco anos de atividades do projeto “Ar, Água e Terra – Vida e Cultura Guarani” foram reconvertidos (para a segurança alimentar) e recuperados mais de 30 hectares de áreas degradadas em dez aldeias do RS – o equivalente a 40 campos de futebol padrão FIFA. A média de conservação dos biomas nessas áreas indígenas é acima de 90%.

Neste período, foram plantadas cerca de 50 mil mudas, sendo mais de 20 mil delas cultivadas nos viveiros/estufas construídos em duas aldeias. A preocupação dos Guarani com o meio ambiente também resulta na conservação de aproximadamente 3 mil hectares dos biomas Mata Atlântica e Pampa e na redução/captação de mais de 37.750 tCO².

Nas áreas de reconversão produtiva, na forma de roças tradicionais, são plantadas em consórcio espécies como batata-doce, mandioca, milho, feijão, abóbora, melancia e frutíferas nativas. As sementes seculares são conservadas pelos próprios indígenas e são intercambiadas entre as aldeias com apoio do Projeto. Os Guarani também estão trabalhando temas como mapeamento, gestão territorial, compostagem, reciclagem e adubação verde.

O projeto “Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani”, nessa fase, está sendo realizado com sete aldeias Guarani do Rio Grande do Sul e conta com o patrocínio da PETROBRAS, através do Programa Petrobras Socioambiental. Suas atividades promovem o intercâmbio de técnicas não indígenas e práticas indígenas e de saberes, sementes e mudas entre as aldeias.

Projeto Ar, Água e Terra: www.projeto.iecam.org.br